Aplicar o princípio de menor privilégio é um avanço importante. Mas o least privilege ainda parte de uma premissa que carrega risco: a existência de permissões permanentes, mesmo que limitadas. Zero Standing Privileges (ZSP) vai além.
No modelo Zero Standing Privileges, nenhuma identidade mantém privilégios de forma contínua. O acesso é concedido quando necessário, pelo tempo necessário, e revogado automaticamente ao final. Não há privilégio em repouso esperando ser comprometido.
O que é Zero Standing Privileges
ZSP é o modelo de segurança em que identidades humanas ou não não possuem permissões permanentes em sistemas. Todo acesso é elevado, temporário e contextual:
- O usuário solicita o acesso necessário para uma tarefa específica
- O sistema avalia o pedido com base em políticas, contexto e aprovações
- O acesso é concedido por um período definido ou até a conclusão da tarefa
- Ao fim do prazo, as permissões são automaticamente revogadas sem intervenção manual
Em vez de gerenciar quem tem o quê de forma permanente, o Zero Standing Privileges garante que privilégios só existam quando estão em uso..
Por que privilégios permanentes são um problema
Mesmo contas com permissões adequadas e revisadas criam risco quando essas permissões existem de forma contínua:
- Credenciais comprometidas de uma conta com privilégios permanentes podem ser exploradas a qualquer momento
- O atacante não precisa de urgência: o acesso está sempre disponível
- Permissões permanentes acumulam-se ao longo do tempo mesmo com revisões periódicas
- Service accounts e contas técnicas frequentemente têm standing privileges sem revisão alguma
ZSP e Just-in-Time Access (JIT)
O mecanismo operacional do Zero Standing Privileges é o Just-in-Time Access: Acesso concedido sob demanda, no momento certo, com escopo e duração definidos.
Fluxo do Zero Standing Privileges (ZSP)
- O JIT pode ser self-service com aprovação automatizada para acessos de baixo risco
- Acessos de alto risco passam por aprovação humana ou multi-party authorization
- O contexto do pedido é registrado: quem pediu, por quê, quando e por quanto tempo
- A revogação automática garante que o acesso não persista além do necessário
JIT e ZSP não são sinônimos, mas trabalham juntos: o ZSP é o objetivo, o JIT é o mecanismo que o viabiliza.
ZSP como evolução natural do PAM
O PAM (Privileged Access Management) tradicional controla e monitora acessos privilegiados existentes. O ZSP elimina a necessidade de acessos privilegiados permanentes:
- PAM governa quem usa privilégios e como ZSP elimina o privilégio em repouso
- A combinação dos dois é o padrão mais seguro disponível hoje para contas administrativas
- Plataformas modernas de PAM já incorporam capacidades de JIT e ZSP como funcionalidade nativa

Desafios na implementação do ZSP
O ZSP representa uma mudança de paradigma que traz desafios operacionais reais:
- Fluxos de aprovação mal desenhados criam atritos que impedem o trabalho
- Sistemas legados não suportam modelos de acesso dinâmico
- Processos de resposta a incidentes precisam ser adaptados para ambientes sem acesso permanente
- A curva de adoção requer treinamento e mudança cultural nas equipes de TI e segurança
A implementação progressiva começando pelas contas mais críticas é a abordagem mais eficaz para adotar ZSP sem impacto operacional severo.
ZSP e a superfície de ataque
O benefício mais direto do ZSP é a redução drástica da superfície de ataque associada a credenciais privilegiadas:
- Credenciais comprometidas de uma conta sem privilégios permanentes não entregam acesso imediato
- A janela de exploração é limitada ao período de acesso ativo
- A detecção de anomalias é facilitada: qualquer uso fora do escopo aprovado é, por definição, suspeito
- O impacto de um incidente é contido pelo escopo e tempo do acesso comprometido
Para organizações que buscam o próximo nível de maturidade em segurança de identidade, Zero Standing Privileges é o caminho natural após o least privilege.
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