Nenhuma organização opera sozinha, na maioria dos casos fornecedores, parceiros, prestadores de serviços, integradoras e consultores externos acessam sistemas, aplicações e dados corporativos com frequência.
Cada uma dessas identidades amplia a superfície de ataque da organização, levando-a para ambientes que estão fora do seu controle direto.
Por isso, a gestão de acessos de terceiros deve fazer parte da estratégia de Identity and Access Management (IAM).
O desafio não está apenas em conceder acesso, mas em saber continuamente quem possui permissões, quais recursos pode acessar e quando esse acesso deve ser removido.
Por que o acesso de terceiros representa um risco?
Terceiros operam fora do ambiente corporativo e, muitas vezes, utilizam dispositivos, redes e processos que não são controlados diretamente pela organização. Além disso, seus ciclos de vida nem sempre estão integrados aos processos internos de onboarding e offboarding.
Entre os principais riscos estão:
- Acessos amplos concedidos por conveniência;
- Contas que permanecem ativas após o fim dos contratos;
- Menor visibilidade sobre as atividades realizadas;
- Comprometimento de credenciais de terceiros;
- Possibilidade de movimentação lateral para sistemas internos.
Uma identidade externa comprometida pode se tornar uma porta de entrada legítima para o ambiente corporativo.

Quais tipos de terceiros precisam acessar sistemas corporativos?
Terceiros possuem diferentes necessidades de acesso e níveis de risco. Por isso, uma estratégia de IAM não deve tratar todas as identidades externas da mesma forma.
| Tipo de terceiro | Exemplo de acesso | Principal risco | Controle recomendado |
| Fornecedores e integradoras | Sistemas e ambientes administrativos | Acesso privilegiado excessivo | PAM e acesso just-in-time |
| Parceiros de negócio | Portais, APIs e dados compartilhados | Exposição indevida de dados | Princípio do menor privilégio |
| Prestadores de serviços operacionais | Sistemas internos e ambientes de produção | Uso de dispositivos não gerenciados | MFA e controle de contexto |
| Consultores e auditores | Dados e sistemas específicos | Acessos mantidos após o fim da atividade | Expiração automática |
| Empresas terceirizadas | Sistemas corporativos utilizados diariamente | Acúmulo de permissões | Revisão periódica |
O tipo de relacionamento não deve determinar automaticamente o nível de confiança. Cada identidade deve receber apenas o acesso necessário para executar sua atividade.
As 7 práticas para gerenciar acessos de terceiros:
1. Criar um inventário de identidades externas.
O primeiro passo é saber exatamente quem possui acesso ao ambiente.
O inventário deve identificar a empresa, o usuário, os sistemas acessados, a justificativa do acesso, quem aprovou a solicitação e quando a permissão deve expirar.
Sem visibilidade sobre as identidades externas, não existe governança efetiva.
2. Aplicar o princípio do menor privilégio.
Cada terceiro deve receber apenas as permissões necessárias para executar sua atividade.
Acessos amplos ou permanentes concedidos por conveniência, aumentam o impacto de uma credencial comprometida.
O princípio do menor privilégio reduz a exposição e limita a capacidade de uma identidade se movimentar dentro do ambiente.
3. Definir acessos temporários.
Sempre que possível, os acessos devem possuir uma data de expiração vinculada ao contrato, ao projeto ou à atividade executada.
Essa prática reduz o risco de contas esquecidas e diminui a dependência de processos manuais para a remoção de permissões.
Uma necessidade temporária não deve resultar em um acesso permanente.
4. Exigir MFA e validar o contexto do acesso.
A autenticação multifator deve ser obrigatória para acessos externos.
Além da autenticação, a organização pode considerar fatores como o dispositivo utilizado, o nível de privilégio solicitado, o sistema acessado e o comportamento da identidade.
Essa abordagem segue princípios de Zero Trust, segundo os quais o acesso não deve ser considerado confiável apenas porque uma identidade já possui uma permissão.
5. Controlar acessos privilegiados com PAM.
Fornecedores e integradoras podem precisar de privilégios administrativos para executar atividades de manutenção, suporte ou implementação.
Nesses casos, o Privileged Access Management (PAM) permite controlar quando e por quanto tempo o acesso será utilizado.
Entre os controles possíveis estão o acesso just-in-time, a aprovação interna, as credenciais temporárias, o monitoramento de sessões e a revogação automática.
O objetivo é evitar que terceiros mantenham credenciais privilegiadas de forma permanente.
6. Revisar e monitorar os acessos.
A concessão de acesso não deve representar o fim do processo de gestão.
As revisões periódicas ajudam a confirmar se o contrato continua ativo, se o terceiro ainda precisa das permissões concedidas e se novos privilégios foram acumulados ao longo do relacionamento.
O monitoramento também permite identificar comportamentos incomuns, como acessos fora do padrão ou tentativas de alcançar sistemas que não estão relacionados à atividade executada.
7. Formalizar o onboarding e o offboarding.
O ciclo de vida da identidade deve acompanhar o relacionamento entre a organização e o terceiro.
A criação de acessos precisa seguir processos definidos de solicitação e aprovação. Da mesma forma, o encerramento de contratos ou projetos deve acionar a remoção das permissões relacionadas.
Esse processo reduz o risco de contas órfãs, ou seja, identidades que permanecem ativas mesmo após o fim da relação comercial.
Como os acessos de terceiros aumentam o risco da cadeia de suprimentos?
Ataques à cadeia de suprimentos podem utilizar um fornecedor ou parceiro como caminho para alcançar a organização.
No contexto da gestão de identidades, um atacante pode comprometer uma conta legítima e utilizar credenciais válidas para acessar o ambiente corporativo.
Como o acesso inicial pode parecer legítimo, esse tipo de incidente pode ser mais difícil de identificar.
Por isso, a estratégia de segurança deve analisar não apenas quem pode acessar determinado recurso, mas também como esse acesso está sendo utilizado.
Terceiros são uma extensão da superfície de ataque.
Fornecedores, parceiros e integradoras são essenciais para muitas operações, mas também representam uma extensão da superfície de ataque. Uma estratégia madura de IAM precisa garantir visibilidade, controle e rastreabilidade sobre essas identidades.
As sete práticas apresentadas ajudam a estruturar essa gestão: identificar quem possui acesso, limitar privilégios, definir prazos, reforçar a autenticação, controlar acessos privilegiados, revisar permissões e garantir um processo eficiente de offboarding.
Controlar quem acessa, o que pode acessar e por quanto tempo é fundamental para reduzir os riscos relacionados a terceiros.
Em organizações cada vez mais conectadas a fornecedores e parceiros, governar identidades externas deixou de ser apenas uma boa prática. É um requisito de maturidade em IAM e segurança da informação.
Confira outros conteúdos que ajudam a fortalecer a estratégia de cibersegurança da sua organização:
- IAM e ESG: A conexão entre identidade, governança e rastreabilidade.
- 7 práticas para gerenciar acessos de terceiros: Fornecedores, parceiros e integradoras.
- IAM em Saúde | LGPD, prontuários e o desafio da identidade de pacientes
- Zero Standing Privileges (ZSP): O próximo passo depois do least privilege
- IAM para varejo: Gerenciando identidades em alta escala e múltiplos canais.