Em uma fusão ou aquisição (M&A), integrar pessoas, sistemas e processos é parte essencial da operação. Porém, a gestão de identidade e acesso também precisa entrar no planejamento desde a due diligence até a integração completa.
Quando duas organizações passam a compartilhar ambientes, aplicações e dados, bases de identidade diferentes podem gerar contas duplicadas, privilégios excessivos, acessos não revisados e falhas no desligamento de usuários. A própria CISA destaca que práticas inadequadas de IAM podem resultar em uso, alteração ou divulgação não autorizada de ativos.
Por que fusões e aquisições aumentam os riscos de IAM?
M&A aumenta a complexidade da gestão de identidades porque duas estruturas de acesso passam a coexistir antes de serem efetivamente integradas.
Durante esse período, podem existir:
- Duas bases de usuários e diretórios diferentes;
- Políticas de acesso com níveis de maturidade distintos;
- Contas duplicadas para uma mesma pessoa;
- Acessos temporários criados para viabilizar a integração;
- Sistemas legados ainda conectados ao ambiente corporativo;
- Terceiros e prestadores com permissões que não foram revisadas;
- Processos de Joiner-Mover-Leaver (JML) diferentes entre as empresas.
O problema não está apenas na existência de duas estruturas, mas na dificuldade de determinar quem deve ter acesso a quê, por quanto tempo e sob quais condições.
Quais são os três momentos mais críticos para o IAM em M&A?
A gestão de identidade precisa acompanhar três etapas principais: Due diligence, Day 1 e integração pós-aquisição.
| Etapa | Principal objetivo de IAM | Risco se não houver planejamento |
| Due diligence | Avaliar identidades, acessos, políticas e tecnologias da empresa alvo | Descoberta tardia de riscos e passivos de segurança |
| Day 1 | Garantir acesso necessário para a operação sem ampliar privilégios | Contas excessivas, acessos provisórios e falhas de controle |
| Integração | Consolidar identidades, revisar permissões e aplicar novas políticas | Permanência de acessos inadequados e inconsistências |
A avaliação de IAM durante a due diligence permite identificar problemas antes que a integração torne essas estruturas parte do ambiente corporativo ampliado.
Quais riscos de segurança podem surgir na integração de identidades?
Os principais riscos estão relacionados a contas antigas, privilégios excessivos, credenciais comprometidas e acessos que permanecem ativos durante a transição.
Entre os cenários que merecem atenção estão:
- Contas de ex-colaboradores ainda habilitadas;
- Usuários com identidades duplicadas nos dois ambientes;
- Privilégios incompatíveis com a nova função;
- Credenciais compartilhadas durante a integração;
- Aplicações legadas com controles de segurança diferentes;
- Acessos temporários que não são posteriormente removidos;
- Violações de segregação de funções (SoD).
A CISA recomenda, entre outras medidas, controlar privilégios, revisar contas e aplicar o princípio do menor privilégio.
Além disso, a autenticação multifator, especialmente métodos resistentes a phishing, é apontada pela CISA como uma medida importante para reduzir o risco de comprometimento de contas.
Como o IGA ajuda na integração de identidades em M&A?
O IGA (Identity Governance and Administration) ajuda a centralizar a governança das identidades, permissões e ciclos de acesso durante a integração.
Em um cenário de M&A, uma solução de IGA pode apoiar atividades como:
- Reconciliação das bases de identidade;
- Identificação de contas duplicadas;
- Análise de permissões incompatíveis;
- Aplicação de políticas de acesso;
- Campanhas de certificação;
- Identificação de violações de SoD;
- Acompanhamento do ciclo de vida das identidades.
Na prática, enquanto o IAM está relacionado ao controle de acesso, o IGA acrescenta uma camada de governança para responder se determinado acesso é apropriado e se a organização consegue demonstrar esse controle.
Por que o JML é importante durante uma fusão ou aquisição?
O JML garante que mudanças na relação do colaborador com a organização sejam refletidas nos seus acessos.
Durante uma aquisição, esse ciclo se torna mais complexo:
- Joiner: Novos colaboradores precisam receber os acessos necessários para iniciar suas atividades.
- Mover: Mudanças de cargo, área ou localização exigem revisão das permissões.
- Leaver: Desligamentos precisam resultar na revogação dos acessos correspondentes.
Sem um processo estruturado, a integração pode gerar acúmulo de privilégios e contas que deixam de ter uma finalidade válida.
Como incluir IAM no plano de integração de M&A?
O IAM deve fazer parte do planejamento da operação antes do Day 1, e não ser tratado como uma etapa posterior da integração.
Um plano de identidade para M&A pode considerar:
- Avaliar o IAM durante a due diligence, incluindo diretórios, aplicações, contas privilegiadas, terceiros e processos de JML.
- Definir o modelo de identidade-alvo, estabelecendo quais sistemas serão mantidos, substituídos ou integrados.
- Criar um plano específico para o Day 1, priorizando os acessos indispensáveis para a continuidade operacional.
- Estabelecer um processo temporário de JML enquanto as estruturas ainda estiverem separadas.
- Realizar certificações de acesso após a integração para identificar privilégios que não são mais necessários.
- Documentar exceções e acessos provisórios, evitando que controles temporários se tornem permanentes.
O que a empresa deve avaliar antes de integrar dois ambientes de IAM?
A integração de identidades em M&A não consiste apenas em conectar dois diretórios ou migrar usuários. É necessário entender quais identidades existem, quais acessos elas possuem e quais regras devem prevalecer no novo ambiente.
Por isso, IAM deve ser considerado uma parte da estratégia de segurança da transação, junto à avaliação de sistemas, dados, infraestrutura e processos.
Em uma operação de M&A, integrar rapidamente é importante. Integrar identidades sem governança, porém, pode transformar a própria integração em uma nova superfície de risco.
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- IAM em fusões e aquisições: Quais são os riscos de identidade em M&A?
- IAM no setor público: 7 desafios para proteger identidades e acessos
- FIDO2 e passkeys: Como funciona a autenticação resistente a phishing.
- Certificação de acessos: Como funciona, tipos e boas práticas para uma governança eficiente.
- Autenticação baseada em risco – 5 motivos para adotar RBA sem comprometer a experiência