IAM no setor público: 7 desafios para proteger identidades e acessos 

IAM no setor público representado por pessoas conectadas em um ambiente digital

Com a expansão dos serviços digitais, a identidade passou a ocupar um papel central na relação entre cidadãos, órgãos públicos e sistemas governamentais. Por isso, o IAM para governo não deve ser tratado apenas como uma tecnologia, mas como parte da estratégia de segurança e governança.

O que é IAM no setor público? 

IAM no setor público é o conjunto de processos e tecnologias utilizados para identificar usuários, autenticar acessos, conceder permissões e controlar o uso de sistemas e informações governamentais. 

Na prática, uma estratégia de IAM pode envolver cidadãos, servidores públicos, terceirizados, estagiários, prestadores de serviços e contas administrativas. 

O objetivo é garantir que cada identidade tenha acesso aos recursos necessários, pelo período adequado e de acordo com sua função. 

Quais são os 7 principais desafios de IAM no setor público? 

Os principais desafios envolvem desde a grande quantidade de identidades até sistemas legados, acessos privilegiados e requisitos de conformidade. 

1. Como gerenciar milhões de identidades digitais? 

O primeiro desafio é administrar identidades em grande escala sem comprometer segurança e experiência do usuário. 

O setor público atende uma quantidade muito elevada de cidadãos e precisa disponibilizar serviços digitais acessíveis e seguros. 

A conta Gov.br possui níveis bronze, prata e ouro, associados a diferentes métodos de validação da identidade e possibilidades de acesso.

2. Como controlar acessos de servidores e terceirizados? 

O segundo desafio é garantir que cada servidor ou colaborador tenha somente os acessos necessários para sua função. 

Órgãos públicos podem ter servidores efetivos, comissionados, terceirizados, estagiários e profissionais contratados por períodos diferentes. 

Quando os processos de RH e TI não estão integrados, podem surgir problemas como: 

  • Contas que permanecem ativas após desligamentos; 
  • Permissões que não acompanham mudanças de função; 
  • Acessos acumulados ao longo do tempo; 
  • Dificuldade para identificar responsáveis por determinadas permissões. 

O gerenciamento do ciclo de vida da identidade ajuda a conectar mudanças no vínculo profissional às alterações necessárias nos acessos. 

3. Como lidar com sistemas legados? 

O terceiro desafio é modernizar a gestão de acesso sem interromper sistemas antigos que continuam sendo essenciais para o funcionamento do órgão. 

Muitos ambientes públicos possuem aplicações desenvolvidas em diferentes períodos e tecnologias. 

Nem todos os sistemas oferecem suporte nativo a autenticação moderna, federação de identidade ou integração com plataformas atuais de IAM. 

Por isso, a modernização precisa considerar a coexistência entre sistemas novos e legados, buscando reduzir credenciais isoladas e melhorar a visibilidade sobre os acessos. 

4. Como proteger acessos privilegiados? 

O quarto desafio é controlar contas que possuem permissões elevadas sobre sistemas, servidores e informações críticas. 

É nesse cenário que o PAM, ou Privileged Access Management, complementa o IAM. 

Controle Objetivo 
MFA Reforçar a autenticação de usuários privilegiados 
Cofre de credenciais Proteger contas e senhas administrativas 
Acesso sob demanda Reduzir privilégios permanentes 
Gravação de sessões Aumentar a rastreabilidade das atividades 
Auditoria Identificar quem acessou determinado recurso 
Segregação de funções Evitar concentração indevida de privilégios 

Em ambientes críticos, esses controles podem ser aplicados a servidores, bancos de dados, aplicações e infraestruturas essenciais. 

O quinto desafio é controlar o acesso a dados pessoais e demonstrar que as permissões estão adequadamente administradas. 

A LGPD estabelece regras para o tratamento de dados pessoais, inclusive no setor público. Nesse contexto, a gestão de identidades contribui para controles como autenticação, restrição de acesso, revisão de permissões e rastreabilidade. 

O IAM não garante, sozinho, a conformidade com a LGPD. Ele funciona como uma das camadas de controle que ajudam a organização a proteger os dados e demonstrar uma governança adequada dos acessos.

6. Como integrar diferentes sistemas e órgãos? 

O sexto desafio é permitir que diferentes aplicações e estruturas de governo trabalhem com identidades confiáveis e padrões de autenticação compatíveis. 

A existência de múltiplos sistemas pode criar diferentes bases de usuários, credenciais e processos de autorização. 

A federação de identidade e protocolos padronizados podem reduzir essa fragmentação, permitindo que aplicações utilizem mecanismos centralizados de autenticação e controle. 

Essa integração é especialmente relevante para ampliar serviços digitais sem criar uma nova identidade independente para cada aplicação. 

7. Como garantir rastreabilidade dos acessos? 

O sétimo desafio é saber quem acessou determinado recurso, quando o acesso ocorreu e quais ações foram realizadas. 

A rastreabilidade é importante tanto para auditoria quanto para investigação de incidentes. 

Uma estratégia de IAM pode centralizar informações sobre identidades e permissões, enquanto soluções complementares ajudam a registrar atividades e comportamentos relacionados aos acessos. 

Esse controle também pode apoiar processos de revisão periódica, permitindo identificar permissões incompatíveis com as funções atuais dos usuários. 

Quais normas e iniciativas impactam o IAM no setor público? 

A gestão de identidades no governo precisa estar alinhada às regras de proteção de dados, segurança da informação e transformação digital aplicáveis ao órgão. 

Entre as principais referências estão: 

Referência Relação com IAM 
LGPD Proteção e tratamento de dados pessoais 
IN GSI nº 1/2020 Diretrizes para gestão da segurança da informação na Administração Pública Federal 
Decreto nº 10.748/2021 Gestão e resposta a incidentes cibernéticos 
Estratégia Federal de Governo Digital Diretrizes para transformação e serviços digitais 
Gov.br Identificação e autenticação para serviços públicos digitais 

O Decreto nº 10.748/2021 instituiu a Rede Federal de Gestão de Incidentes Cibernéticos, voltada à prevenção, tratamento e resposta a incidentes na Administração Pública Federal.

Por que IAM é estratégico para a transformação digital do governo? 

IAM é estratégico porque a digitalização dos serviços públicos depende de identidades confiáveis e acessos controlados. 

Não basta disponibilizar um serviço online. É necessário garantir que a pessoa ou sistema que está acessando determinado recurso seja devidamente identificado e tenha autorização compatível com aquela operação. 

Para o cidadão, isso contribui para uma experiência digital mais segura. Para os órgãos públicos, permite maior controle sobre identidades, permissões e atividades.

Como começar uma estratégia de IAM no setor público? 

O primeiro passo é entender quais identidades, sistemas, acessos e privilégios precisam ser administrados. 

A partir desse diagnóstico, a organização pode avaliar: 

  1. Quais identidades existem; 
  1. Quais sistemas estão conectados a essas identidades; 
  1. Quais acessos cada perfil possui; 
  1. Quais privilégios são considerados críticos; 
  1. Como ocorre a entrada, movimentação e saída dos usuários; 
  1. Como as permissões são revisadas; 
  1. Quais processos ainda dependem de controles manuais. 

A partir desse mapeamento, é possível definir prioridades de implementação e integração. 

Em resumo, a gestão de identidades no setor público envolve muito mais do que autenticar usuários. Ela conecta segurança, governança, conformidade e transformação digital. 

Dos cidadãos que acessam serviços digitais aos servidores responsáveis por sistemas críticos, cada identidade precisa ter controles compatíveis com seu nível de acesso e risco. 

Para o setor público, fortalecer a gestão de identidades significa criar uma base mais segura para continuar expandindo os serviços digitais oferecidos à sociedade. 

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