A gestão de identidades e acessos (IAM) no setor público é essencial para controlar quem pode acessar sistemas, aplicações e informações governamentais. No Brasil, esse desafio envolve cidadãos, servidores, terceirizados e diferentes níveis de acesso, além de requisitos relacionados à LGPD e à segurança da informação.
Com a expansão dos serviços digitais, a identidade passou a ocupar um papel central na relação entre cidadãos, órgãos públicos e sistemas governamentais. Por isso, o IAM para governo não deve ser tratado apenas como uma tecnologia, mas como parte da estratégia de segurança e governança.
O que é IAM no setor público?
IAM no setor público é o conjunto de processos e tecnologias utilizados para identificar usuários, autenticar acessos, conceder permissões e controlar o uso de sistemas e informações governamentais.
Na prática, uma estratégia de IAM pode envolver cidadãos, servidores públicos, terceirizados, estagiários, prestadores de serviços e contas administrativas.
O objetivo é garantir que cada identidade tenha acesso aos recursos necessários, pelo período adequado e de acordo com sua função.
Quais são os 7 principais desafios de IAM no setor público?
Os principais desafios envolvem desde a grande quantidade de identidades até sistemas legados, acessos privilegiados e requisitos de conformidade.
1. Como gerenciar milhões de identidades digitais?
O primeiro desafio é administrar identidades em grande escala sem comprometer segurança e experiência do usuário.
O setor público atende uma quantidade muito elevada de cidadãos e precisa disponibilizar serviços digitais acessíveis e seguros.
O Gov.br é um exemplo dessa necessidade. A plataforma funciona como infraestrutura de identificação e autenticação para diversos serviços públicos digitais e utiliza diferentes níveis de confiabilidade para os usuários.
A conta Gov.br possui níveis bronze, prata e ouro, associados a diferentes métodos de validação da identidade e possibilidades de acesso.
2. Como controlar acessos de servidores e terceirizados?
O segundo desafio é garantir que cada servidor ou colaborador tenha somente os acessos necessários para sua função.
Órgãos públicos podem ter servidores efetivos, comissionados, terceirizados, estagiários e profissionais contratados por períodos diferentes.
Quando os processos de RH e TI não estão integrados, podem surgir problemas como:
- Contas que permanecem ativas após desligamentos;
- Permissões que não acompanham mudanças de função;
- Acessos acumulados ao longo do tempo;
- Dificuldade para identificar responsáveis por determinadas permissões.
O gerenciamento do ciclo de vida da identidade ajuda a conectar mudanças no vínculo profissional às alterações necessárias nos acessos.
3. Como lidar com sistemas legados?
O terceiro desafio é modernizar a gestão de acesso sem interromper sistemas antigos que continuam sendo essenciais para o funcionamento do órgão.
Muitos ambientes públicos possuem aplicações desenvolvidas em diferentes períodos e tecnologias.
Nem todos os sistemas oferecem suporte nativo a autenticação moderna, federação de identidade ou integração com plataformas atuais de IAM.
Por isso, a modernização precisa considerar a coexistência entre sistemas novos e legados, buscando reduzir credenciais isoladas e melhorar a visibilidade sobre os acessos.
4. Como proteger acessos privilegiados?
O quarto desafio é controlar contas que possuem permissões elevadas sobre sistemas, servidores e informações críticas.
É nesse cenário que o PAM, ou Privileged Access Management, complementa o IAM.
| Controle | Objetivo |
| MFA | Reforçar a autenticação de usuários privilegiados |
| Cofre de credenciais | Proteger contas e senhas administrativas |
| Acesso sob demanda | Reduzir privilégios permanentes |
| Gravação de sessões | Aumentar a rastreabilidade das atividades |
| Auditoria | Identificar quem acessou determinado recurso |
| Segregação de funções | Evitar concentração indevida de privilégios |
Em ambientes críticos, esses controles podem ser aplicados a servidores, bancos de dados, aplicações e infraestruturas essenciais.
5. Como IAM contribui para a conformidade com a LGPD?
O quinto desafio é controlar o acesso a dados pessoais e demonstrar que as permissões estão adequadamente administradas.
A LGPD estabelece regras para o tratamento de dados pessoais, inclusive no setor público. Nesse contexto, a gestão de identidades contribui para controles como autenticação, restrição de acesso, revisão de permissões e rastreabilidade.
O IAM não garante, sozinho, a conformidade com a LGPD. Ele funciona como uma das camadas de controle que ajudam a organização a proteger os dados e demonstrar uma governança adequada dos acessos.
6. Como integrar diferentes sistemas e órgãos?
O sexto desafio é permitir que diferentes aplicações e estruturas de governo trabalhem com identidades confiáveis e padrões de autenticação compatíveis.
A existência de múltiplos sistemas pode criar diferentes bases de usuários, credenciais e processos de autorização.
A federação de identidade e protocolos padronizados podem reduzir essa fragmentação, permitindo que aplicações utilizem mecanismos centralizados de autenticação e controle.
Essa integração é especialmente relevante para ampliar serviços digitais sem criar uma nova identidade independente para cada aplicação.
7. Como garantir rastreabilidade dos acessos?
O sétimo desafio é saber quem acessou determinado recurso, quando o acesso ocorreu e quais ações foram realizadas.
A rastreabilidade é importante tanto para auditoria quanto para investigação de incidentes.
Uma estratégia de IAM pode centralizar informações sobre identidades e permissões, enquanto soluções complementares ajudam a registrar atividades e comportamentos relacionados aos acessos.
Esse controle também pode apoiar processos de revisão periódica, permitindo identificar permissões incompatíveis com as funções atuais dos usuários.
Quais normas e iniciativas impactam o IAM no setor público?
A gestão de identidades no governo precisa estar alinhada às regras de proteção de dados, segurança da informação e transformação digital aplicáveis ao órgão.
Entre as principais referências estão:
| Referência | Relação com IAM |
| LGPD | Proteção e tratamento de dados pessoais |
| IN GSI nº 1/2020 | Diretrizes para gestão da segurança da informação na Administração Pública Federal |
| Decreto nº 10.748/2021 | Gestão e resposta a incidentes cibernéticos |
| Estratégia Federal de Governo Digital | Diretrizes para transformação e serviços digitais |
| Gov.br | Identificação e autenticação para serviços públicos digitais |
O Decreto nº 10.748/2021 instituiu a Rede Federal de Gestão de Incidentes Cibernéticos, voltada à prevenção, tratamento e resposta a incidentes na Administração Pública Federal.
Por que IAM é estratégico para a transformação digital do governo?
IAM é estratégico porque a digitalização dos serviços públicos depende de identidades confiáveis e acessos controlados.
Não basta disponibilizar um serviço online. É necessário garantir que a pessoa ou sistema que está acessando determinado recurso seja devidamente identificado e tenha autorização compatível com aquela operação.
Para o cidadão, isso contribui para uma experiência digital mais segura. Para os órgãos públicos, permite maior controle sobre identidades, permissões e atividades.
Como começar uma estratégia de IAM no setor público?
O primeiro passo é entender quais identidades, sistemas, acessos e privilégios precisam ser administrados.
A partir desse diagnóstico, a organização pode avaliar:
- Quais identidades existem;
- Quais sistemas estão conectados a essas identidades;
- Quais acessos cada perfil possui;
- Quais privilégios são considerados críticos;
- Como ocorre a entrada, movimentação e saída dos usuários;
- Como as permissões são revisadas;
- Quais processos ainda dependem de controles manuais.
A partir desse mapeamento, é possível definir prioridades de implementação e integração.
Em resumo, a gestão de identidades no setor público envolve muito mais do que autenticar usuários. Ela conecta segurança, governança, conformidade e transformação digital.
Dos cidadãos que acessam serviços digitais aos servidores responsáveis por sistemas críticos, cada identidade precisa ter controles compatíveis com seu nível de acesso e risco.
Nesse cenário, IAM, IGA e PAM podem atuar de forma complementar para criar uma estrutura mais organizada de identidades, permissões e privilégios.
Para o setor público, fortalecer a gestão de identidades significa criar uma base mais segura para continuar expandindo os serviços digitais oferecidos à sociedade.
Confira outros conteúdos que ajudam a fortalecer a estratégia de cibersegurança da sua organização:
- IAM em fusões e aquisições: Quais são os riscos de identidade em M&A?
- IAM no setor público: 7 desafios para proteger identidades e acessos
- FIDO2 e passkeys: Como funciona a autenticação resistente a phishing.
- Certificação de acessos: Como funciona, tipos e boas práticas para uma governança eficiente.
- Autenticação baseada em risco – 5 motivos para adotar RBA sem comprometer a experiência